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 Recanto das Letras







Autoconhecimento
By Eder Couto


Conhecimento é inevitável e assustador. Descobrimos, sem querer, o imperceptível. A cada aurora é fácil se perder em um interior enigmático. Perante desforras vivemos e aprendemos a lidar com situações inusitadas. Várias são as pessoas que dizem nos conhecer e não conseguem se descrever. Vários aqueles que nos descrevem tão bem e estão em busca de um autoconhecimento. Independente do acontecido, o julgamento perdura diante à ruína do homem e este se perde ante a penumbra da solidão.

Não sei mais o que satisfaz meu ego, nem o que almejo. Revocando o passado estou me perdendo. Procurando algo novo, me deturpo. No fundo, percebo que preciso viver sem pensar e pensar sem deixar de viver. Expor a liberdade de expressão escondida na cognição. Todavia, o mal que assola o intelecto sobrevém no calor do alvoroço.

Pensar exige conhecimento! Informações captadas sem critérios não são apreciadas. O nada ao acaso entorpece e degenera o poder da mente. Tomado pelo despeito e pela tirania do incrédulo, o corpo sucumbi ao desalento. Egocêntrico, cria expectativas para combater o desgosto e tornar público os pensamentos líricos omitidos. Expandir os conceitos suscetibiliza a alma. Quem se conhece não teme o desconhecido...



 Escrito por Eder Couto às 22h07
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Obstáculos
By Eder Couto


A trajetória às vezes é interrompida por obstáculos difíceis de transpassar. Cada barreira deixada para trás, mesmo que árdua, é uma vitória quase sempre marcante. Ao longo da batalha o pensamento permanece obcecado pela conquista. Nada é tão fácil e nem tão difícil que não possa ser realizado. Lutar exige preparo. A derrota, mesmo marcante, é um recomeço para um vitorioso e um holocausto exaustivo para o sofredor.

O pensamento, atônito, guia o desespero à reflexão. A perturbação da mente causa angústia e embaralha a certeza. Querendo o que não volta abdica-se do presente. O ter sem ser é vazio e extenuante. A luta expõe a fraqueza humana e cava o buraco do desrespeito. Covardes trepidam diante da sensação de perda. Só força não basta. O coração em meio ao ódio não pensa. É preciso racionalizar a reflexão.

Saber o que fazer não é indício de sabedoria. Perdido, me encontro, e te perco. Você debanda e eu me armo. Desbravado, uso o tormento como uma arma. Torpe e ingênuo me sinto, e te perco! O orgulho estanca a dor e aumenta a solidão. Diante à autoconfiança, me descubro. Um escudo interior me protege contra a adversidade e auxilia contra infortúnios que sempre continuarão! A prudência é fundamental para o fortalecimento humano. Nada dispersa aos olhos do observador, porém é necessário ter em mente que o obstáculo a ser vencido sempre estará por vir.



 Escrito por Eder Couto às 13h09
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O tudo e o nada
By Eder Couto


O tudo se traduz em nada. É difícil acreditar que a destruição é demasiadamente rápida a ponto de interferir na construção. O que seria o amor nesse momento, em meio à razão? Anos se passam em segundos. Lembranças perduram e junto a elas os sentimentos. Quero expor em lágrimas a dor em meu peito e não consigo. Estou engasgado. Imaginando um futuro melhor que talvez não aconteça. A mente rebusca intensamente um passado recente. Todo esse desgaste desequilibra o corpo.

Preciso respirar fundo e colocar os pés em um chão que está cada vez mais distante. Sinto-me inútil perante as situações de descaso e audacioso diante dos acontecimentos. Percebo minha fuga perante as inversões contrárias da minha mente. Durante certos desenlaces vejo o quanto sou fraco. Sem término predestinado, meus dias tem sido repletos de espaços vazios, começando pelo coração. Inofensivo, seduzo minha alma a ferocidade e transcrevo paralelamente a mágoa. Cada linha uma lágrima e o choro continua engasgado.

Onde está você? A dedicação presente no passado tenderá o nosso futuro. Queria eu poder decidir o teu destino. Tudo se transforma. Nada escapa! A resistência imposta pelo corpo inutiliza o pensamento, mas não descama a sabedoria. Temo pelo destino que não usufruímos. Na decorrência do tempo, o tudo que construímos ainda é pouco e parados não restará mais nada..



 Escrito por Eder Couto às 23h58
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O despertar de uma paixão
By Eder Couto


Nem ao menos sei quem sou e você já me conhece. Estou procurando me convencer que não possuo defeitos e você me vê com perfeição. Minha mente confusa, às vezes, não entende o que está acontecendo. O que eu fiz para despertar uma paixão tão eloqüente? O seu olhar simplório transparece um entusiasmo lindo. Nesse momento, me vejo como um coadjuvante do seu sentimento. Qual é o meu papel nessa história de amor? Não sei como agir. O meu roteiro se perdeu em meio a tanta confusão.

Um relacionamento deixa marcas profundas que não podem ser apagadas, mas nada impede que sejam sobrepostas. Tenho medo de me envolver e ao mesmo tempo pavor da solidão. Perco-me a cada beijo seu e me encontro a cada sorriso. Uma criança é como me sinto. Um bebê que precisa de cuidados especiais. Tento me convencer que não estou apaixonado. Sem perceber acabo me entregando a você. O que você está fazendo comigo? Eu preciso saber por que me exalto ao te ver. Só de sentir seu cheiro já transpasso a outra dimensão.

Não sei o que fazer e não quero ocupar minha cabeça tentando encontrar soluções. Quem viver verá o que está guardado para ser vivenciado em um futuro próximo. Ainda não estou louco, mas sei que vou ficar. A prisão parece um cárcere onde a luz que irradia provém dos seus olhos. Sinto-me um príncipe que mordeu a maçã e precisou de um beijo ardente para acordar. A cada linha vejo que meu papel está trocado. Sou um ator deixando-me levar pela emoção. Adentro-me no personagem e descrevo o que o coração manda. Ensaio sem saber o desfecho do espetáculo, porém o cartaz já demonstra que a trama está definida.



 Escrito por Eder Couto às 22h28
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Incertezas
By Eder Couto


No estado que estou, as palavras não conseguem chegar aos meus ouvidos. Há perante os olhos um obstáculo escabroso, impossível de ser removido. Queda, tremor, angustia, depressão! Sinais preparam o corpo e anunciam o desenlace. Se os fatos não mudam, porque a ausência? Queria eu transmutar o que se mantém constante. As ruínas do meu corpo caem aos pés do desespero. Ajuda-me a levantar e tente não reviver na memória o passado. O esquecimento transpõe a dor! Chegando a lugar nenhum estou buscando algo que não existe. Um traçado inerte que nunca será alcançado. Aproximar deste espaço me afasta do entusiasmo e afunda o orgulho em um buraco negro.

O retorno é marcado pela calma de quem sofre e pelo sofrimento dos envoltos. A realidade possui duas faces. Duras marcas que se contrastam. Sentimentos ambíguos, que apesar de diferentes, se intercalam. A dor figurativa impregna na real, fazendo da rotina uma incógnita. Drogas entram em minha vida com destino ao coração. Onde está o erro? Talvez na busca pelo incerto. Talvez na certeza da negação. A atenuação da amargura recorda a luta pela perfeição e a certeza da falta de primor.

Estou doente sem motivos aparentes. Criando falsas expectativas para moléstias inexistentes. Trocando a convicção pelo fracasso e obtendo sucesso. Neste campo arredio, a batalha, mesmo inoperante, não impede a explosão da mina. Não há mais como fugir. É preciso viver! Independente dos problemas e das soluções encontradas. Cada qual na linha estipulada para sua magnitude, procurando sempre a vitória. Mesmo que venha através da derrota.



 Escrito por Eder Couto às 18h25
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A vida como deve ser
By Eder Couto


Eis que hoje não se resguarda mais a extremidade da matéria. Acaba-se por proferir palavras iguais com sentidos diferentes para quem ouve. Todavia, o que adentra o coração deveria ser o que sai da boca. Percebe-se que os objetivos traçados geralmente não acontecem como o planejado. Cada qual se priva pela aparência, deixando de viver o que não volta mais. O viver é tentador, excitante, porém, abrasivo. Há um custo pré-estabelecido, redefinido a cada momento, para cada movimento executado. É indispensável um entusiasmo enaltecedor para suprimir a derrota e edificar o triunfo.

Essa motivação integra a consciência e restabelece a vontade de crescer, contudo, sem sustentação, o acidente pode ser fatal. Através desta, tudo se modifica. A dor que bate após, mesmo não sendo esmagadora, machuca. É perigoso crer em qualquer coisa que se manifeste. Como se fortalecer então? Talvez, vivendo sem medo a cada nova situação. A alegria deve ser instantânea, determinante, incitante, sabendo que o entendimento do agir é intrico. Mesmo assim deve-se ter em mente que o ser humano não perpetua e o amanhã pode não existir.

Sem a entrega não há como gozar a vida. Seria excelente não ter preocupações no pensamento, no intelecto, na alma. Morrer-se-ia somente com a dor da saudade. A felicidade prevaleceria e a queda seria algo displicente e proposital. O sofrimento não tem que ser dispendioso. Há sempre um conhecimento agregado a aflição. Quanto mais destinos percorrem-se, mais se descobre que não há um caminho correto. Os sentimentos estão presentes, fervorosamente, a todo instante. Compreendê-los e controlá-los demonstra o grau de sabedoria adquirido. O ideal é não envergonhar-se de sua existência. É olhar para trás e ter a certeza que nada foi feito por acaso e que o amanhã será ainda melhor.



 Escrito por Eder Couto às 23h04
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Só o tempo
By Eder Couto


Sinais consomem o tempo e decodificam o poder do ser. A idade chega aos poucos e modifica a visão que temos do futuro. As transformações são lentas, porém, importantes e necessárias. Cada qual depende não apenas de si para que o momento prossiga. O instante é vivido e a decisão não é democrática. A experiência não aumenta necessariamente ao final da juventude. Quem quer ser servido ao longo de sua existência que aumente a sua capacidade de amar. Aos poucos, observa-se perante uma superfície refletora, que o amigo fiel da vestustez é a solidão. O isolamento vem, destrói o poder de ilusão e faz com que os pensamentos fiquem retraídos. Neste instante, as coisas mais simples tornam-se complicadas.

O entendimento se confunde com o erro. Tudo parece tão simples e tão distante. A dor não traduz mais o itinerário percorrido pela agonia, mas sim o ardor de um estágio essencial para a sobrevivência. A ausência de tolerância diagnostica o rumo que a vida toma. O eu ressurgi frio e previdente. Cauteloso ampara-se nas noções aprendidas para remanejar seus passos. O caminho é novo, mas as pegadas nunca se apagam. Independente disso é impossível voltar e percorrer o trilho sobre os mesmos passos.

A intenção de recomeçar traz a tona o pensamento e alimenta o instinto inquieto e repreensivo da raça humana. Não se regressa ao destino sem um objetivo, exceto quando não se sabe o porquê dos acontecimentos. Porém, o tempo continua sempre à frente. Quando a percepção supera o auto poder de persuasão, os sentidos demonstram o que é realmente envelhecer só. Neste instante, o sofrimento pesa, a mágoa arde como uma chama e a aflição assume um papel inconveniente e contraditório. Só o tempo resolve problemas e responde perguntas. O fato é quão extenso será e como cada qual se reestruturará.



 Escrito por Eder Couto às 22h03
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