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Incertezas By Eder Couto No estado que estou, as palavras não conseguem chegar aos meus ouvidos. Há perante os olhos um obstáculo escabroso, impossível de ser removido. Queda, tremor, angustia, depressão! Sinais preparam o corpo e anunciam o desenlace. Se os fatos não mudam, porque a ausência? Queria eu transmutar o que se mantém constante. As ruínas do meu corpo caem aos pés do desespero. Ajuda-me a levantar e tente não reviver na memória o passado. O esquecimento transpõe a dor! Chegando a lugar nenhum estou buscando algo que não existe. Um traçado inerte que nunca será alcançado. Aproximar deste espaço me afasta do entusiasmo e afunda o orgulho em um buraco negro. O retorno é marcado pela calma de quem sofre e pelo sofrimento dos envoltos. A realidade possui duas faces. Duras marcas que se contrastam. Sentimentos ambíguos, que apesar de diferentes, se intercalam. A dor figurativa impregna na real, fazendo da rotina uma incógnita. Drogas entram em minha vida com destino ao coração. Onde está o erro? Talvez na busca pelo incerto. Talvez na certeza da negação. A atenuação da amargura recorda a luta pela perfeição e a certeza da falta de primor. Estou doente sem motivos aparentes. Criando falsas expectativas para moléstias inexistentes. Trocando a convicção pelo fracasso e obtendo sucesso. Neste campo arredio, a batalha, mesmo inoperante, não impede a explosão da mina. Não há mais como fugir. É preciso viver! Independente dos problemas e das soluções encontradas. Cada qual na linha estipulada para sua magnitude, procurando sempre a vitória. Mesmo que venha através da derrota.
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© 2004 SURTOS PSICÓTICOS. Todos os direitos reservados. Estas obras estão licenciadas. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial destas obras. Você não pode criar obras derivadas. |